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Incas: Arte

escrito por Totzil

Histórico

A cultura inca — resultado da mistura das culturas preexistentes na região andina — era muito rica, principalmente no que se refere à arte, intimamente ligada à ciência, à religião e ao cotidiano.

Ourivesaria

A {pt:ourivesaria} inca possuía caráter funcional e ornamental; o desenho das peças, aspecto de desenhos geométricos. O figurativismo das estatuetas de metal era bem estilizado, tendo a cabeça mais trabalhada que o restante do corpo. A prata era um dos metais mais apreciados para as peças suntuosas, embora se tivesse conhecimento de metais como o ouro. Eles produziam belos objetos de ouro.

Artefatos Incas feitas em Ouro1

Artefatos Incas feitas em Ouro2

Artefatos

Nessa arte, destacam-se também as facas de sacrifício. As construções arquitetônicas, apesar da {pt:austeridade} em relação às dos maias e astecas, não possuem hoje ornamentos esculpidos, o que se deve principalmente ao fato de os espanhóis terem extraído os trabalhos de escultura em ouro que revestiam as paredes dos aposentos internos.

Facas de Sacrifício1

Facas de Sacrifício2

Construções

Mas o que marcou a arquitetura inca foi o trabalho com a rocha; obras civis de pouca importância, fortalezas, torres, templos, palácios e edifícios do governo tinham em suas estruturas pedras arduamente trabalhadas e esculpidas pelos trabalhadores incas. Tais pedras eram constituídas do mais puro granito branco e seus vértices esculpidos em diversos ângulos (de até 40 graus) de tal maneira que os blocos se encaixassem perfeitamente uns nos outros sem a utilização de argamassa ou cimento e que o espaço entre um bloco e outro fosse impenetrável mesmo pela mais fina lâmina. As pedras, para que pudessem resistir aos freqüentes tremores de terra, tinham forma trapezoidal e eram tão pesadas que chegassem a atingir três toneladas. Não se sabe o tipo de instrumento utilizado na construção das cidades incas, já que não há vestígios de ferramentas ou rodas. Nativos da região dizem que tais ferramentas seriam feitas de hematita, oriunda de meteoritos. Segundo os cientistas, essa hipótese é um tanto improvável. É incontestável a engenhosidade de certas construções incas, como por exemplo, os canais que transportavam água a poderosas cisternas, para que fosse enfim armazenada sem desperdícios, ou mesmo os diversos níveis de terraços, nos terrenos íngremes da região, que permitiram um melhor aproveitamento da terra para a agricultura.

Construção Inca1

Construção Inca2

Artesanatos

Os incas produziam artefatos destinados ao uso diário ornados com imagens e detalhes de deuses. Era comum na cultura Inca o uso de formas geométricas abstractas e representação de animais altamente estilizados no feitio de cerâmicas, esculturas de madeira, tecidos e objetos de metal.As mulheres produziam tecidos finos com desenhos surpreendentes.

Atezanato Inca feito em Cerâmica

Artezanato Inca feito em Tecido

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Incas: Organização política e social

escrito por Totzil

Poder

É incontestável que o estado inca teve uma organização social e política peculiar. Seu chefe de Estado era o Inka ou Sapan Inka, também conhecido como Sapan Intiq Churin (“O Único Filho do Sol”), que tinha uma esposa com o nome de Qoya. De um modo mais compreensível, pode-se dizer que o nome “Inka” equivale a “Rei”; e “Qoya” significa “Rainha”. De acordo com a tradição andina, tanto Inka quanto Qoya eram descendentes diretos do Deus Sol. Para perpetuar sua linhagem divina, o Inka era obrigado a casar com sua irmã. O “Sapan Inka” também tinha um número limitado de concubinas e filhos. A tradição conta que Wayna Qhapaq tinha mais de 400 crianças. Este privilégio era dado somente para o Inka.

Representação de uma Qoya

O Inka era o chefe religioso e político de todo o Tawantinsuyo. Ele praticava a soberania suprema. Pesava o fato de que o Inka era venerado como um deus vivo, pois era considerado o Filho do Sol. Seus súditos seguiam suas ordens com total submissão. Aqueles que conviviam com ele se humilhavam em sua presença, em ato de extrema reverência. Apenas o mais nobre homem da linhagem Inka podia dirigir a palavra ao Inka e repassar as informações aos outros súditos. Algumas das mulheres do Império Inca coletavam cabelo e saliva do Rei, como forma de se protegerem de maldições. Ele era carregado em uma maca dourada e suas roupas eram feitas de pele de vicunha da mais alta qualidade. Somente ele usava o simbólico Maskaypacha ou uma insígnia real, espécie de cordão multicolorido. Grandes adornos dourados pendiam de suas orelhas, o que acabava por deformá-las. O imperador inca usava ainda uma túnica que ia até os joelhos, um manto banhado a esmeralda e turquesa, braceletes e joelheiras douradas e uma medalha peitoral que trazia impresso o símbolo do Império Inca.

Representação de um Inka

Histórico

Pachakuteq governou de 1438 a 1471 e foi sucedido por Tupaq Inka Yupanqu i, que ficou no poder de 1471 a 1493. Depois, seguiram no reinado Wayna Qhapaq (1493-1527) , Waskar (1525-1532) e finalmente Atawallpa (1527-1533) . A dinastia inca não acabou com a chegada dos espanhóis invasores, mas abriu caminho para o surgimento da nação Quéchua. Movido por interesses diplomáticos, Pizarro nomeou Toparpa ou Tupaq Wallpa como o novo Inka, envenenado quando viajava até Cuzco. Mais tarde, o direito ao trono foi oferecido a Manko Inka ou Manko II,outro filho de Wayna Qhapaq que, em 1536, começou uma longa guerra para retomar o comando de Tawantinsuyo. Ele acabou sendo assassinado por dois seguidores do conquistador espanhol Almagro e foi substituído pelo filho, Sayri Tupaq, que morrem em Yucay, após traição dos conquistadores. Titu Kusi Yupanqui, irmão de Sayri Tupaq, foi denominado novo Inka. Sua primeira ação no poder foi se dirigir até Vilcabamba, com o objetivo de continuar a guerra. Vitimado por uma doença, Titu Kusi morreu e foi sucedido pelo irmão Tupaq Amaru. Mas Amaru foi seqüestrado pelo capitão espanhol Martin Garcia Oñas, que acabou se casando com a sobrinha de Amaru. Tupaq Amaru foi levado até Cuzco e executado em praça pública. Era o ano de 24 de setembro de 1572 e o conquistador Viceroy Francisco de Toledo se regozijava diante da execução sumária. Após 36 anos de guerra, os conquistadores do Velho Mundo adquiriam todos os direitos sobre a terra sagrada dos incas.

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Incas: História (Origem)

escrito por Totzil

Os Precursores dos Incas

Com o recuo das geleiras e conseqüentes desertificações do litoral ocidental da América do Sul, algumas tribos nômades começaram a circular por aquelas regiões. Tal fato ocorreu há cerca de 14 mil anos. Essas tribos andavam por caminhos tortuosos, em busca de frutas, raízes, água doce e caça.

Foi nesse contexto que surgiram os primeiros indícios de civilização na América do Sul. Ao que parece, pequenas tribos começaram a avançar tecnologicamente, desenvolvendo a agricultura e criando cidades prósperas e relativamente grandes no final do terceiro milênio antes da era Cristã.

Chavin de Huantar

Esses povos não tinham muito em comum, apenas um traço muito marcante: a religião. Todos os povos adoravam uma divindade zoomórfica, com a forma de um jaguar ou puma. A adoração dessa divindade foi a responsável pelo maior legado arqueológico dessa época, a construção do centro cerimonial de Chavin (não se sabe ao certo como se chamava na época esse centro, devido à inexistência da linguagem escrita; portanto, ele foi batizado com o nome de um povoado localizado próximo a suas ruínas, Chavin de Huantar), por volta de 1800 a.C.. Esse centro cerimonial não consistia numa cidade propriamente dita, mas em uma espécie de sede oficial da religião daqueles povos (bem como o Vaticano é a sede da Igreja Católica). Não se pode chamar Chavin de cidade, pelo fato de que no local não residia ninguém além de sacerdotes e seus criados.

Todos os anos, Chavin era visitado por milhares de pessoas, que segundo consta, ofereciam-se para sacrifício em honra do Deus Jaguar. Alguns eram sacrificados e a multidão, depois de alguns dias, voltava para suas respectivas cidades. Esse processo desencadeou a expansão da divindade do Jaguar por todos os povos dos arredores da cordilheira dos Andes.

As diversas sociedades andinas, por meio de sua unidade religiosa, mantiveram relações ideológicas comuns, sendo orientadas pelos sacerdotes de Chavin.

Ruínas de Um Templo Chavin

Nazca

Entretanto, por motivos ainda obscuros para a Arqueologia, a cultura Chavin entrou em decadência no início da era Cristã, e desapareceu ainda no século I d.C.. Para ocupar o lugar deixado pela centralização anterior, os diversos povos andinos iniciaram pequenos reinos, dos quais alguns se expandiram para formar verdadeiros Impérios.

Alguns desses reinos têm muita relevância para que se compreendam as quão desenvolvidas foram às civilizações pré-colombianas da América. É o caso de Nazca, que apesar de estar radicada numa região de clima hostil conseguiu realizar construções que só uma civilização muito bem organizada poderia realizar.

Imagem Aérea da Região de Nazca

Tiahuanaco e Wari

Outros dois povos de suma importância que existiram nesse período foram os Tiahuanaco e os Wari, respectivamente localizados nas margens do lago Titicaca e no vale médio do Mantaro. Juntos, esses povos conseguiram reconstruir a unidade do fragmentado mundo andino. Tiahuanaco foi pouco estudada pelos arqueólogos até hoje, mas sabe-se que sua expansão dirigiu-se essencialmente para o sul, tendo sido iniciada no século VIII de nossa era. Os legados mais fantásticos dessa civilização são as grandes construções em pedra, como Machu Picchu, e também a chamada Porta do Sol, situada numa ilha do lago Titicaca. Aliás, a respeito do lago Titicaca é interessante dizer que Tiahuanaco era uma cidade que se situava a sua margem. Digo era, não porque a cidade está em ruínas, mas sim porque o lago está diminuindo gradativamente ao longo dos anos, e hoje a cidade distam 20 km dele. Titicaca é o lago mais alto do mundo, estando situado a uma altitude média de 4000 m acima do nível do mar. Seu nome significa “mar do alto”, pois suas águas são salgadas e sua largura máxima chega a 60 km por 250 km de comprimento.

Ruínas de Tiahuanaco em Machu Picchu

Porta do Sol, construção de pedra em uma ilha do Lago Titicaca

O Império Wari teve sua expansão no século IX, sendo portanto mais tardia do que a expansão de Tiahuanaco. Sendo assim, a cultura Wari levava em si forte presença cultural de Tiahuanaco, podendo-se dizer que ambos os Impérios difundiram a mesma cultura. O período em que esses dois povos brilharam parece ter sido de grande vigor militar, principalmente no que diz respeito a Wari. As cidades do Império eram construídas geralmente em locais onde fosse possível construir apenas um muro reto, que protegesse a cidade, uma vez que as outras quatro paredes seriam substituídas por uma montanha. Ou seja, as cidades Wari eram construídas em reentrâncias de montanhas.

O território influenciado pelos Impérios Wari e Tiahuanaco, no que diz respeito à sua cultura, não corresponde ao território por eles dominado politicamente, pois sua influência atingia até mesmo regiões livres de sua dominação. Porém, ambas as cidades foram capitais de grandes Impérios andinos, precursoras de fato dos Chimu e dos Incas, alvo deste trabalho.

Ruínas de Pachacamac - Império Wari

No século XII, os Impérios Wari e Tiahuanaco entraram em decadência. O motivo disso, também devido a não existência de linguagem escrita, é desconhecido até os dias de hoje.
O fato é que a decadência desses novos centralizadores andinos abriu novamente caminho para o surgimento de pequenos reinos, dos quais três tornar-se-iam grandiosos, tornando-se dois deles, com efeito, Impérios.

Chanka, Chimu e os Incas

Esses três reinos a serem destacados são os Chanka, os Chimu, e os Incas. Como se sabe, os Incas constituíram um império e, como nos diz o título desta parte do trabalho, os Chimu também o fizeram.

Chimus

Os Chimus constituíram um pequeno reino que surgiu no litoral do atual Peru (aquele mesmo que no início foi descrito como muito seco, até desértico). Os Chimu são oriundos da baía de Guayaquil. Em embarcações de bambu, eles alcançaram por via marítima os vales de Chicama, onde fundaram sua primeira cidade. Esta região, na época da cultura Chavin, foi dominada pelo povo Mochica, que devido a várias guerras foi obrigado a abandonar a área. Os Chimu aproveitaram muitas ruínas Mochicas no início de sua ocupação. Eram ruínas de construções, mas principalmente de redes de irrigação. Os novos habitantes reativaram tais redes de irrigação e as ampliaram, começando assim, no século XIII, a desenvolver na região uma nova cultura.

Ruínas Mochicas Ruínas Mochicas

Tawantinsuyu: O Império Inca

Primeiro, devemos explicar que o nome do Império Inca era Tawantinsuyu, uma palavra Quechua que significa “As quatro Terras”, ou também “Os Quatro cantos do Mundo”.

A Colcha de Retalhos Étnica

Até agora, estudamos vários Impérios que existiram na América do Sul, antes dos Incas. Percebemos que esses Impérios não eram Impérios no sentido clássico da palavra, pois na verdade eram apenas grandes reinos.
Antes de continuarmos, é bom que se esclareçam os conceitos. Reino é uma extensão de terra, contínua ou não, que se encontra sob a autoridade de um monarca. Um bom exemplo de Reino é a Inglaterra, que apesar de todas as suas terras não serem contínuas, elas estão sob a autoridade de seu monarca.

Entretanto, Império é a designação de uma extensão de terras, contínuas ou não, a qual está dividida por vários monarcas que juram vassalagem a um, o Imperador. Um bom exemplo de Império foi o Sacro Império Romano-Germânico (aonde os vários senhores feudais – muitas vezes reis), juravam vassalagem ao Imperador. Baseados nesses critérios, podemos concluir que o Império do Brasil na verdade não foi um Império, mas sim um Reino, pois toda a extensão de terra estava sob as ordens do Imperador.

Pois bem, o Império Inca, como perceberemos, foi talvez o melhor exemplo de Império que já existiu. A etnia Inca, cuja origem é a cidade de Cuzco, realizou sua expansão, dominando outras cidades e povos, sendo estes subjugados e obrigados a jurar lealdade ao Imperador (que no Império Inca recebia o nome de Inka / na verdade, a grafia poderia ser com “C” também, mas optamos aqui por escrever com “K”, para facilitar a compreensão).

Ruínas de Cuzco

Em muitos povos antigos, o Sol se tornou um dos principais, senão o principal Deus. Foi assim com os indígenas brasileiros, que tinham em Tupã, seu Deus máximo, sendo que este simbolizava o Sol; com os Astecas, que tinham em Uitzilopochtli, o Sol, sua divindade suprema; os Egípcios, que tinham em Ámon-Rá, o Sol, e Áton, o círculo solar, algumas de suas principais divindades.

Não poderia ser diferente com os Incas, que consideravam o Intip (Sol), o Deus supremo de seu panteão. Bem como os faraós Egípcios, os Inka também era uma divindade, sendo, portanto o Império uma Teocracia (forma de governo característica da Antigüidade, em que o chefe de governo é considerado uma divindade).
Como já referimos em um momento anterior, o nome do Império Inca era Tawantinsuyu. Uma vez que já também já foi mencionada a tradução da palavra, vamos agora desmembrá-la, para explicar a divisão Imperial. Tawantin significa quatro, o número 4, e suyu significa terra, ou terras (nas vezes em que coloco a letra “S” no final de palavras quéchuas. Fazemos isso apenas para facilitar a sua leitura, pois o plural nessa língua não era feito dessa forma).

Depois que Pachukuti, o nono Inka, iniciou de fato a expansão territorial do Reino de Cuzco, o Tawantinsuyu começou a se formar. Sua divisão é simples. Os Incas consideravam Cuzco, sua capital, como sendo o coração do mundo. Sendo assim, pela cidade passavam duas linhas imaginárias em diagonal: uma que ia de noroeste para sudeste, e outra que ia de nordeste para sudoeste dos seus domínios. Sendo assim, o Império ficava dividido em quatro partes (suyus).
O suyu do norte recebia o nome de Chicasuyu; o do sul era chamado Kollasuyu; o do leste, Antisuyu e o do oeste, chamava-se Kuntinxuyu. Cada suyu era considerado um Reino independente, sendo governado por um Apu.
Existiam portanto quatro Apus, que deviam obediência ao Inka, constituindo-se assim, um Império na concepção exata da palavra.

Os suyus eram divididos em províncias, como grandes estados. Cada província era administrada por um governador, chamado Tukriquq. Ele morava na cidade principal da província, que era dividida em diversas regiões. Cada região tinha o governo de um kuraka (antigo chefe da etnia conquistada, a área ocupada anteriormente pela etnia seria a área que o kuraka controlaria; assim, os diversos kurakas se hierarquizavam de acordo com as antigas posses de sua etnia).

4 Terras (Suyu) de Tawantinsuyu

As regiões eram divididas em partes: podiam ser cidades ou aldeias. Geralmente eram aldeias, pois havia poucas cidades, normalmente uma por região, na qual morava o kuraka. Aldeias e cidades eram habitadas por ayllus. Estes formavam a base do Tawantinsuyu, representando a união de familiares e amigos numa espécie de clã que se unia para viver junto e trabalhar com mais eficiência, tanto para viver melhor quanto para servir melhor.

No Tawantinsuyu não havia ninguém que não tivesse terra. Quando alguém nascia, recebia das mãos do kuraka, um topo, quantidade de terra considerada suficiente para sustentar uma pessoa. Sendo assim, se a família fosse composta por três pessoas, teria três topos, e assim por diante. Quando uma pessoa morria, seu topo voltava para as mãos do kuraka, para que ele sempre tivesse terras disponíveis para dar aos recém-nascidos. A riqueza de uma família era indicada pela quantidade de pessoas que ela tivesse, ou seja, quanto maior a família, mais topos e mais riqueza.

O ayni era a principal virtude dos ayllus. Sua descrição pode parecer muito simples, como realmente é, mas nem por isso ele é menos importante. Graças ao ayni, a grande maioria dos kurakas aceitava sem maiores problemas a condição de súdito do Inka.

Ayni significa reciprocidade. Mas não uma reciprocidade do tipo toma lá, dá cá, uma vez que isso constituiria um comércio, e não existia comércio no Tawantinsuyu. Tal reciprocidade funcionava da seguinte maneira: para pagar um favor que lhe foi feito, você tem que fazer o favor em dobro para a outra pessoa. Por isso, os kurakas sempre se mostravam prontos para servirem ao Inka, pois sabiam que iriam receber em dobro tudo o que fizessem. Mas o ayni não funcionava apenas entre as autoridades do Tawantinsuyu, mas entre toda a população do Império.

A cidade de Cuzco foi a capital do Tawantinsuyu durante sua época de expansão, deixando de sê-lo na época de seu maior esplendor. Inicialmente a cidade era apenas um caótico vilarejo fortificado e dividido em duas partes compostas por quatro sub-partes. Ela permaneceu nessa condição até que Pachakuti (que já foi citado anteriormente) realizou com perfeição o plano de reurbanização de Cuzco.

Os Incas

Os incas viveram na região da Cordilheira dos Andes ( América do Sul ) nos atuais Peru, Bolívia, Chile e Equador. Fundaram no século XIII a capital do império: a cidade sagrada de Cuzco. Foram dominados pelos espanhóis em 1532.

Os Incas habitavam os planaltos andinos, desde a Colômbia até as regiões do Chile e da Argentina atuais, tendo o atual Peru como o centro político, econômico e demográfico. As tribos Incas chegaram à Bacia do Cuzco, no interior dos Andes do Peru, por volta do século XIII. Ai coligou-se com outros povos existentes na região, adotou inúmeros traços culturais inclusive a língua “quíchua”, que impuseram depois na região dos Andes.

A denominação Inca se deu a partir de inúmeras guerras. Essas guerras criaram no interior do império, militares interessados nas atividades bélicas, porque essas lhe traziam benefícios, tais como títulos, bens e mão-de-obra servil. As guerras também visavam obter seres humanos para serem sacrificados dos deuses Incas.

Armas Incas

O imperador, conhecido por Sapa Inca era considerado um deus na Terra. A sociedade era hierarquizada e formada por: nobres ( governantes, chefes militares, juízes e sacerdotes), camada média ( funcionários públicos e trabalhadores especializados) e classe mais baixa ( artesãos e os camponeses). Esta última camada pagava altos tributos ao rei em mercadorias ou com trabalhos em obras públicas.

Apesar de arqueólogos e historiadores não concordarem, acredita-se que os incas vieram de uma região árida e montanhosa localizada nos Andes Centrais. Por razões também desconhecidas, eles deixaram seu lugar de origem em busca de novos territórios.

Ao chegar a Cuzco, aproximadamente no ano 1100, eles decidiram se estabelecer. A principal razão desta decisão foi a terra boa de cultivo que eles encontraram e também por se sentirem protegidos entre as montanhas de possíveis inimigos. Cuzco é um vale rico andino, situado na confluência dos rios Huantanay e Tullumayo, rodeada de um circo de montanhas que atingem uma altura de mais de 3000 metros acima do nível do mar.

Para se estabelecer em Cuzco eles tiveram que lutar e vencer o povo que vivia na região, provavelmente de língua aymará. Segundo alguns pesquisadores, os incas se aliaram aos senhores da região de Titicaca, com a qual mantinham estreitos vínculos econômicos.

De acordo com os relatos míticos dos incas, a fundação de Cuzco é atribuída a Manco Capac, considerado um herói e um deus. Ele foi o primeiro Inca, nome dado mais tarde aos monarcas, e estabeleceu as primeiras regras da organização social, que nesta época era um pequeno estado com pouco poder.
O sucessor de Manco Capac, Sinchi Roca, que significa herói guerreiro, iniciou a série de monarcas lendários que fortaleceram seu assentamento em Cuzco e dominaram o território até o lago Titicaca.

Por Totzil

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A história Maia

escrito por Fenrir

A história Maia

Localização Maia

A história do povo maia começa há milhares de anos, quando povos provavelmente vindos da Ásia pelo estreito de Bering (estreito que separa a Ásia da América), ocuparam a América do Norte e Central. Estudos realizados na língua maia levam à conclusão de que ao redor de 2 500 a.C., vivia um povo protomaia, na região de Huehuetenango, na Guatemala. Há cerca de duas horas de Cancun, encontram-se as ruínas da antiga cidade cerimonial de Chichén-Itzá, que floresceu no auge da civilização maia-tolteca. Seu mais importante sacerdote foi Kukulcan (a serpente emplumada), provavelmente vindo do México central onde era conhecido como Quetzalcóatl (ver período maia-tolteca logo abaixo). Ao que tudo indica, Kukulcan foi mesmo um personagem histórico e que morreu e foi enterrado na península de Yucatan. Acreditava-se que ele encarnava o espírito da serpente emplumada cuja cabeça está representada na figura abaixo.

A Serpente Maia

A história da civilização maia é dividida em período pré-clássico ou formativo, período clássico, período de transição, período maia-tolteca e período de absorção mexicana.

Período Pré-clássico (500 a.C. a 325 d.C.)Os maias organizaram-se inicialmente em pequenos núcleos sedentários baseados no cultivo do milho, feijão e abóbora. Construíram centros cerimoniais que, por volta do ano 200 da era cristã, evoluíram para cidades com templos, pirâmides, palácios e mercados. Também desenvolveram um sistema de escrita hieroglífica, um calendário e uma astronomia altamente sofisticados. Sabiam fazer papel a partir da casca de fícus e com ele produziam livros. A cultura maia começa a ser delineada. Estátuas de barro antropomorfas aparecem mostrando os traços típicos de seu povo.

Período Clássico (325 d.C. a 925 d.C.)Costuma-se subdividir este período em clássico temprano (325 d.C. a 625 d.C.) que corresponde ao período em que cessaram as influências externas e os maias se firmaram como povo. Neste período surgiram formas tipicamente maias na arquitetura como o arco corbelado e o registro de datas históricas com o uso de hierógrifos, em florescente (625 d.C. a 800 d.C.), quando as manifestações culturais chegaram ao seu esplendor cultural. Foi a época dos grandes avanços na matemática, na astronomia, na escrita, nas artes e na arquitetura e o Colapso (800 d.C. a 925 d.C.), época em que misteriosamente a cultura maia se deteriorou e os centros cerimoniais foram abandonados.

Em seu auge, a civilização maia abrangia mais de quarenta cidades e acredita-se que a população tenha alcançado dois milhões de habitantes, a maioria dos quais ocupava as planícies da região onde hoje é a Guatemala. As principais cidades eram Tikal, Uaxactún, Copán, Bonampak, Palenque e Río Bec. A população vivia fora dos grandes centros e as classes altas em bairros próximos. Disperso em aldeias dedicadas à agricultura, o povo deslocava-se até os núcleos urbanos apenas para celebrar rituais religiosos e fazer negócios.

A expansão territorial empreendida no final do século IVpara o oeste e o sudeste fez surgir os centros populacionais de Palenque, Piedras Negras e Copán. Impulsionados provavelmente pelo aumento populacional que resultou de um período de excedentes agrícolas, os maias prosseguiram rumo ao norte até controlarem toda a península de Yucatán. O apogeu cultural de que dão testemunho as ruínas dos templos de Palenque, Tikal e Copán, as numerosas estelas com relevos hieroglíficos e a rica cerâmica policromada e figurativa – ocorreu na segunda metade do século VIII. Acredita-se que nesse período as cidades-estado maias formavam uma espécie de federação de caráter teocrático e estritamente hierarquizada em diferentes classes sociais.

Seguiu-se a esse período pacífico uma fase de decadência cujas causas são desconhecidas. Possivelmente uma catástrofe, uma invasão estrangeira inesperada ou uma epidemia, justifique a abrupta mudança de rumos. Uma revolta dos camponeses contra os sacerdotes e o empobrecimento do solo é, no entanto, os motivos mais plausíveis que teriam levado os maias a abandonarem os núcleos urbanos e arredores para se instalarem ao norte de Yucatán, onde começou a reorganização do estado que originou o novo império.

Período de Transição (925 d.C. a 975 d.C.)- este período marca a queda livre da civilização maia e o nível cultural, misteriosamente, caiu quase que ao nível do período pré-clássico.

Período Maia-Tolteca (975 d.C. a 1 200 d.C.) - Época de grande esplendor, mas agora sob forte influência da cultura tolteca, que chegou do centro do México, trazendo consigo o mito de Quetzalcóatl. O povo maia era fundamentalmente um povo guerreiro. Mesmo entre eles, lutavam com crueldade pelo domínio das regiões. O quadro ao lado mostra momentos de guerra desse povo. Nesta época, houve grande avanço nos conhecimentos astronômicos dos maias que construíram o mais preciso calendário existente. Os maias desenvolveram um sistema numérico próprio, sem o qual não seria possível os avanços científicos. Observe o quadro abaixo. Facilmente você poderá entender como os números eram escritos. Reparem que eles descobriram também o número zero. Além deste modo de representar números, eles tinham um outro sistema, mais próximo dos hieróglifos. Eles podem ser observados no papel de parede desta página. Cada número era representado por uma cabeça diferente, mas não tão diferente para nó aponto de podermos ler tais números com facilidade.

Período de Absorção Mexicana (1 200 d.C. a 1540 d.C.)- nesta época surgiram vários conflitos, as alianças entre os vários grupos foram sendo quebradas e houve uma série de enfrentamento bélico que dividiu as populações e empobreceram ainda mais a cultura. Quando os espanhóis chegaram à região maia, as grandes cidades cerimoniais já haviam sido abandonadas, a cultura estava em total decadência.

Depois que a grande civilização maia da região central entrou em decadência, a da porção setentrional da península de Yucatánatingiu seu apogeu. O novo império ou período pós-clássico sofreu forte influência mexicana, como atestam o militarismo e o culto a Kukulcán (Quetzalcóatl, para os toltecas), simbolizado pela figura da serpente emplumada. Os núcleos principais desse período eram Chichén Itzá, Uxmal e Mayapán.

No final do século XII, a cidade de Mayapán passou a dominar toda a península e organizou um império que durou até meados do século XV, quando líderes de outras cidades rebelaram-se contra essa hegemonia. Mayapán foi arrasada, e iniciou-se um novo e longo período de anarquia e desintegração da civilização maia. Ao caos resultante das lutas entre diversas cidades independentes pela primazia somaram-se desgraças naturais como o furacão de 1464 e a peste de 1480. Centros outrora esplendorosos foram abandonados e os maias voltaram a Petén, na região central.

Os espanhóis, que chegaram à costa de Yucatán em 1511, tiveram sua tarefa de conquista facilitada pela decadência maia e sua fragmentação interna. No final da década de 1520, todos os territórios de influência maia haviam sido dominados. Pedro de Alvarado conquistou a Guatemala em 1525, e Francisco de Montejo ocupou em 1527 o Yucatán, cuja conquista foi consolidada por seu filho e homônimo em 1536. Apenas a região central, sob controle dos itzás, permaneceu independente até 1697, quando foi ocupada por Martín de Ursúa. Restava pouco daquela que foi uma das mais fantásticas civilizações que o mundo já teve. O tempo foi implacável. Nos roubou para sempre esse tesouro. Restam as lembranças que as ruínas guardaram para nós.

Linha do tempo

Por Fenrir

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