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escrito por The Earth 7lk

Continua aqui a segunda parte da entrevista com o professor Alberto Frederico Beuttenmüller. Ainda não leu a primeira parte? Clique: Entrevista com Alberto Frederico Beuttenmüller – Parte 1. Boa leitura.

Alberto Frederico

10 – É visível que os estudos e pesquisas proporcionaram o acúmulo de um grande conhecimento, que foi utilizado na produção de suas obras literárias. Fale um pouco sobre elas.

Eu comecei a escrever poemas. Nunca pensei em escrever romances, até que me dei conta da profecia maia para 2012 – a chamada Conta Longa. Quis escrever um romance porque não sou antropólogo nem arqueólogo, não podia defender tese. Eu queria mesmo era fazer a civilização maia mais conhecida do público, e o romance era uma forma mais atrativa de levar ao leitor todo o conhecimento maia. Tenho quatro livros de poemas: Ciranda, ed. Acquila,SP,1963(esgotado);Hora Total,1965,Editora LP&M, SP,1965. Espadamormarmorte, Brasil ed, SP, 1969/70. Katatruz, editora Massao Ohno-Roswita Kempf, SP, 1982. E pronto para sair: A Pele da Palavra , ainda sem editora, uma seleção dos poemas passados mais os inéditos.
Para os jovens, escrevi alguns contos policiais: O Mistério do Azul-Turquesa, Atual editora, 1990, O Amor que o Sol Proibiu, sobre uma lenda inca, editora FTD, na praça, No ano passado escrevi Os Maias, pela Saraiva. Escrevi dois livros sobre os maias: 2012 A Profecia Maia, que sai em novembro de 2007, em 2a edição; e A Serpente Emplumada, ambos pela Editora Ground, traduzidos em Espanha e Portugal (risos).

11 – Você já viveu algo inusitado ao aprofundar os seus estudos? O quê?

Não me lembro de nada fora do comum, a não ser a energia que senti visitando cidades maias, astecas e Teotihuacan, Cidade esta que ninguém sabe que raça a construiu, é um dos mistérios mesoamericanos. Quem vai à Cidade do México, deve ir a Teotihuacan, que fica a uns 50 km de distância da capital. Eu fui à noite, porque tem um show de luz e som que é inusitado. Depois visitei a cidade durante o dia para ver as pirâmides do Sol e da Lua. Os estudos estão avançando. Ainda há pouco descobriram um túmulo de um rei asteca, debaixo do Zócalo, a praça central da Cidade do México.

12 – Fale um pouco mais sobre o seu livro: “2012 – A profecia Maia”. Como surgiu a idéia de se fazer um livro com tal tema? O que você espera que as pessoas possam absorver desse livro?

O que me deu vontade de escrever foi justamente a Conta Longa, a Profecia Maia para 2012. Achei que o título traria leitores, assim poderia passar informações sobre os maias, seus costumes, sua mitologia, suas cidades. Como não sou um especialista em antropologia ou arqueologia, resolvi escrever em forma de romance, assim o texto ficaria mais agradável de ler. Como o livro saiu há dez anos atrás, já tenho uma idéia de que o livro deu certo, muita gente aprendeu sobre os maias, fato inconcebível há dez anos. Os mexicanos gostam de difundir mais os astecas do que os maias. Isso porque os astecas fundaram a Cidade do México (Tenochtitlán, em nahuatl, a língua dos astecas). A civilização maia, embora tenha ocupado também o território do México, nasceu na selva do Petén, na Guatemala, onde até hoje eles ainda vivem, usando os calendários maias.

13 – Sabemos que seu novo livro será lançado no final deste ano. Qual a sua expectativa para o lançamento do mesmo?

A minha expectativa foi de fazer correções.Quando lancei 2012 A Profecia Maia há dez anos, acreditei que o José Argüelles, que estudava os maias havia mais tempo, estivesse dando informações autênticas sobre essa civilização, mas depois vi os erros matemáticos e de informação que, infelizmente, usei na 1a edição do livro. Feitas as correções, em novembro deverá sair o livro, com adendos, baseados no Orkut e nas dúvidas, que percebi nos participantes da comunidade que leva o mesmo nome do meu livro.

14 – Muitos mistérios ainda precisam ser descobertos e revelados, com isso notamos a necessidade de novas pesquisas e estudos. Com o intuito de saciar tais anseios, você pretende investir em novos projetos, produzindo novas obras literárias? Se sim, o que abordaria tais obras?

No momento escrevo um livro sobre Pacal, o grande, de Palenque. Ele foi o mais notável maia. Tornou-se rei aos 12 anos de idade, o que já era uma raridade, pois nesta idade jamais houve caso semelhante entre os maias clássicos (entre 250-900 d.C.). Precisamos de novas descobertas e estudos em Palenque, onde há pouco descobriu-se o túmulo da Rainha Vermelha, e ninguém sabe dizer quem é esta rainha, enterrada com suas jóias, em local distinto daquele que seria o lugar digno de uma rainha. Talvez, seja a avó de Pacal, talvez seja a esposa de Pacal. Ninguém sabe.

15 – Para estudarmos algo, sempre que possível é de bom grado construir um esqueleto que nos mostre por onde começar e por onde caminhar nessas nossas pesquisas. Para um iniciante e curioso estudante, qual a sua dica no que se refere à metodologia de estudo das civilizações antigas?

Isso dependerá da civilização. Há civilizações que possuem muitos dados, mas o caminho principal é a religião, mitologia e rituais. Isso, porque estamos acostumados em separar religião de política e de arte, mas nas civilizações antigas tudo era unido, não se separava religião de política, principalmente. Os reis eram deuses ou tinham vínculo direto com os deuses. A arte estava subjugada aos sacerdotes, que davam a receita de como deveria ser realizada uma obra de arte. Entre os maias, o rei era ainda o sacerdote-mór, embora houvesse sacerdotes específicos para cada ritual. Em geral, as religiões das civilizações antigas eram politeístas, havia muitos deuses, bem como na igreja católica há muitos santos. Tudo passava pela religião, por isso, se o estudioso pesquisar em profundidade a religião de uma civilização, perceberá como aquela raça pensava e vivia. Depois da religião unida à política e à arte, eu creio que as guerras dizem muito a respeito de um povo.

16 – Agora, deixando de lado a metodologia de estudo e passando para a concepção ideológica, qual conselho você daria aos leitores interessados nos polêmicos assuntos que circundam as histórias relacionadas às antigas civilizações? Tudo o que vemos e ouvimos pode ser considerado como fatos verídicos? Quais os cuidados que devemos tomar com relação ao assunto?

O problema principal é o de datas. Esta deve ser a maior desconfiança do estudioso. Com o passar do tempo, as datas mudam e se tornam cada vez mais anteriores ao que se tinha como data verdadeira. Em Palenque, por exemplo, o rei Pacal escreveu nas paredes do Templo das Inscrições toda a dinastia da cidade. Devemos confiar? E a rainha vermelha? Não consta da lista de Pacal, então, deve ter morrido depois dele. Por isso, penso que seja a esposa. O estudioso deve desconfiar sempre de dados, a não ser que todos os especialistas estejam de acordo, o que é muito difícil. Precisamos analisar as provas, cuidadosamente. A cada descoberta arqueológica, tudo muda, por isso é importante sempre informar com rigor. Falam tanto dos maias, mas os maias não foram apenas uma civilização, mas, pelo menos, duas: a clássica e a do Yucatan. Além disso, há muitas línguas maias, os nativos da atual Guatemala são bem diferentes dos maias do México. Cada cidade maia tinha deuses distintos entre si, apesar de empregarem os mesmos calendários, a mesma matemática e o mesmo objetivo de calibrar todo o sistema solar. Isso quanto à elite, o povo ficava de fora de todos os planos. Quanto à questão de datação, lembro-me que um arqueólogo amador William Niven achou indícios de uma casa de ourives pré-histórico no México, com datação de 16 mil anos, mas os arqueólogos profissionais não aceitaram tal datação.

Gostou da entrevista? Tem alguma pergunta para o professor? Deixe um comentário!

Acompanhe a terceira e última parte da entrevista aqui mesmo, no 2012 – Dois Mil e Doze.

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4 Comentários para 'Entrevista com Alberto Frederico Beuttenmüller – Parte 2':
  1. Fernanda Klayn disse:

    adorei a entrevista e gostaria de saber onde eu encontro mais e mais sobre os maias e como eu descubro oq eu sou? como alberto disse ser 1.. como descubro meu número e a descrição.

  2. Alberto Beuttenmüller disse:

    Fernanda: você é 12 Kan ou 12 Lagarto no signo maia ou kin. Eu não sou 1, sou 1 Serpente, conforme os números há gradações da Serpente. Se o Bin Laden fosse 1 Serpente ele jamais faria o que fez, mas ele é 13 Serpente, com grandes tendências ao fanatismo religioso. A Serpente lidera em termos religiosos, mas como tudo dos maias, há sempre a dualidade, não existe apenas o bom, mas o bom equilibra com o ruim, aliás como tudo na vida.

  3. Luciano Comunello disse:

    Qual a sua visão sobre o trabalho do José arguelles? E sobre o trabalho do Cotterell? Qual autor que, hoje, esteja trabalhando sobre os mayas e vc indicaria?
    Att:

  4. Alberto Beuttenmüller disse:

    Luciano: li quase todos os lirvos do José Argüelles e até confiei nele; pensei tratar-se de um pesquisador sério, mas depois descobri que ele manipilou os calendários maias e fez-se até um deus -Valum Votan. O livro O Fator maia dele está cheio de erros matemáticos. Enfim, criou o calendário das 13 Luas depois chamado de Calendário da Paz e disse que era maia, mas não é, pois os maias quichés da Guatemala ainda usam o verdadeiro calendário maia, que nada tem de parecido com o calendário do Argüelles. Quanto ao Maurice Cotterrell gostei do que escreveu e descobriu sobre os maias, mas ele não é um especialista e misturou teorias maias com astecas. O livro dele tem uma descoberta incrível, que todas as civilizações acabaram quando o Sol estava na máxima das tempestades solares e provou com gráficos. Acho que o livro dele: “The Mayan Profecies” deve ser lido e discutido. É um bom livro.

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