2012 – Dois Mil e Doze
Verdade ou mentira?
Maias: A religião
A selva imprimiu por completo a percepção da realidade. Os maias acreditavam que uma energia biocósmica atravessava as pessoas, os animais, as plantas e os seres inanimados, imprimindo neles a sua razão de ser.
Quanto maior fosse a carga de energia, maior era a categoria e a importância de cada ser vivo, coisa, ou entidade. Os maias acreditavam que o gasto descomunal dos deuses era reposto com o sangue humano dos sacrifícios.
A crença no poder de combustível do sangue mostra deuses vulneráveis. E ao contrário, destacava o papel dos homens para manter o universo.
Os maias representavam a superfície da terra como as costas de caimão, ou como uma tartaruga marinha que sustentava a paina, uma árvore gigante sobre a qual o céu se apoiava. Sob sua sombra descansavam os sacerdotes, os guerreiros mortos em combate, e as mulheres falecidas no parto. O céu era associado à imagem da serpente de duas cabeças, imagem da dualidade da vida e da morte.
Mas além da terra e do céu, os maias davam mais atenção ao subsolo ou inframundo. Esta era a moradia dos mortos e dos deuses, além de fonte da vida e do milho, componente fundamental de sua alimentação.
O Xibalbá, o País dos Mortos, era um reflexo do mundo terreno. Eles construíam as pirâmides como representação do interior da terra.
Centralizada no subsolo, a noção maia do Outro Mundo abraçava uma dimensão mais complexa, um universo paralelo ao dos seres vivos, que incluía o céu, a superfície terrestre, a profundidade do oceano e a espessura da floresta.
O Outro Mundo, segundo acreditavam, resguardava os segredos do cosmos e do transcurso do tempo, os mistérios da vida e o destino dos seres humanos.
Os deuses maia
Os pesquisadores da religião maia enfrentam fortes polêmicas. A informação disponível não permite individualizar com precisão os distintos deuses do Período Clássico, suas origens, e suas funções. A cerâmica policroma relata mitos cosmogonicos e descreve o mundo subterrâneo. As imagens dos deuses se confundem com as cenas de adoração aos governantes.
Não obstante, nos templos de Uaxactún e Palenque é possível reconhecer representantes e esculturas do deus Kinich Ahau ou Kukulkán, Ixchel, Chac e Kauil.
Destacam-se Itzmaná, inventor da escrita, senhor dos céus, dia e noite; Hunab-Ku era irrepresentável e intocável, dele vinham todas as coisas materiais.
Vários deles eram antepassados divinizados. O próprio Kukulkán havia encabeçado os toltecas do Vale Central do México que se estabeleceram em Mayapán no final do século X.
O panteão maia se identificava com o cosmos e os objetos celestes. Kukulkán ou Kinich Ahau havia sido uma espécie de deus do sol, como o Ra dos egípcios. Seu nome significa: “Deus do rosto do sol”.
A influência do Teotihuacán foi muito importante, a ponto de muitas das entidades do norte serem incorporadas pelos maias. Quetzalcoalt, a “Serpente Emplumada”, foi assimilado com Kukulkán, reforçando a identidade entre deuses e governantes.
Os deuses combinavam formas humanas, animais, vegetais e astrais. O deus Jaguar era o senhor da noite estrelada, reinando sobre o céu, a terra e as trevas do inframundo.
As representações de Chac, o deus da chuva, o raio, o trovão e o vento, uniam a representação destes fenômenos com os pontos cardeais. Acompanhados de rãs que a anunciavam, Chac era uma divindade muito importante para os camponeses, e costumava se multiplicar esvaziando abóboras para produzir a chuva, enquanto atirava machados de pedra.
Ah Mun era o deus do milho, na batalha permanente com Ah Puch, o deus da morte. Também se relacionava com o inframundo Ek Chuah, um deus da guerra que aparece vestido de negro, divindade dos comerciantes e do cacau.
O panteão maia era bastante numeroso, com divindades altamente especializadas: Ixtab, deusa dos suicídios que era representada com uma corda no pescoço; IxChel, deusa do arco-íris, medicina, adivinhação e maternidade; Ah Chicum Ek, o deus benevolente da estrela polar; e Buluc Chabtan, deus guerreiro dos sacrifícios humanos entre outros.
Profecias e adivinhações
Para conhecer o destino dos defuntos no Além, suas opiniões, seus prognósticos e seus anseios em relação aos vivos, os maias desenvolveram a técnica da necromancia.
Os reis maias acreditavam que se comunicavam com seus ancestrais ao se verem na superfície polida dos espelhos mágicos de obsidiana, consumindo drogas alucinógenas, ingressando nas covas ou nos templos-montanha.
Na língua maia, “profecia” e “lei” se escrevem com a mesma palavra, mostrando a concepção regular e circular que tinham do transcurso do tempo.
Assim como os astecas, os maias pensavam que as profecias se cumpriam. Por isso, toda tentativa de fugir da sorte estava destinada ao fracasso. O livro sagrado de Chilam Balam diz: “Estas coisas serão compridas. Ninguém poderá detê-las”.
Apesar de se tratar de um relato das invasões toltecas, a tradição considera que Ah Xupan Nauat, um profeta maia do século XI havia antecipado a chegada dos espanhóis a Yucatán, fato histórico que aconteceu quinhentos anos depois.
Formuladas de maneira retrospectiva, os maias faziam o possível para cumpri-las. Aquele que conhecia a profecia era considerado o favorito dos deuses, o mestre da interpretação, o dono absoluto do poder.
Ao constatar essa idéia, o filósofo, lingüista e historiador Tzvetan Todorov explicou que a vida social dos maias se caracterizava pela regularidade absoluta: “a palavra chave da sociedade mesoamericana é ordem”, escreveu Todorov.
Cosmologia e o poder político
De modo parecido a outras sociedades antigas, a forma como percebiam o universo nos dá uma radiografia da estrutura de poder, as funções dos governantes, as divisões territoriais, a ordem das cidades, e os aparatos administrativos.
Os reis tinham caráter divino e trabalhavam como sumos sacerdotes. Eles fixavam a doutrina e estabeleciam os procedimentos rituais. Os membros de suas linhagens também desempenhavam tarefas religiosas.
O rei estava diretamente relacionado com os deuses, era considerado um deles. Quanto mais o governante fosse sagrado e o culto fastuoso, mais a sociedade se sentia segura e integrada. De acordo com as crenças, os reis eram potências geradoras de vida.
Governar para os maias significava administrar corretamente a ordem do cosmos, a sociedade e a natureza. Isso explica o poder absoluto dos reis, a partir da posse dos segredos do mundo dos mortos.
Os ancestrais fundadores de linhagens eram associados a seres sobrenaturais, denominados wayob. Os arqueólogos identificaram imagens destes seres nas peças de cerâmica. Para os maias, os espíritos dos wayob viviam nas construções gigantescas das principais cidades.
Os rituais
Os relatos mais minuciosos sobre os ritos de sangue maia provêm do Período Pós-Clássico. Entre eles, a cena da extração do coração de um guerreiro para oferecê-lo aos deuses.
Os jovens guerreiros pertencentes às elites inimigas eram as presas mais cobiçadas. No caso de capturar um governante, ou um chefe principal, a vítima era reservada para ser decapitada durante uma cerimônia especial.
Por outro lado, quanto mais distante fosse o povo de um cativo, geográfica ou culturalmente, mais os maias o depreciavam para o sacrifício. Segundo Todorov, as vítimas preferidas deviam ser simultaneamente, estrangeiras e próximas.
Os métodos de sacrifício eram diversos. Durante o Período Clássico foi posto em prática o esquartejamento, realizado em ocasiões durante o jogo de bola.
O Templo dos Jaguares e dos Guerreiros em Chichén Itzá foram âmbitos privilegiados para a prática dos sacrifícios humanos.
Os cronistas espanhóis descrevem o equipamento dos sacerdotes: resina de copal para utilizar incenso, pintura negra e facas de sacrifício.
Segundo o pensamento maia, os ritos eram imprescindíveis para garantir o funcionamento do universo, os acontecimentos do tempo, a passagem das estações, o crescimento do milho, e a vida dos seres humanos. Os sacrifícios eram necessários para assegurar a existência dos deuses, repondo seu consumo periódico de bioenergia.
Por Fenrir
Maias: Organização política e social
Extremamente hierarquizada, a sociedade maia contava em cada cidade-estado com uma autoridade máxima, de caráter hereditário, dita halach-uinic ou “homem de verdade”, que era assistido por um conselho de notáveis, composto pelos principais chefes e sacerdotes. O halach-uinic designava os chefes de cada aldeia (bataboob), que desempenhavam funções civis, militares e religiosas. A suprema autoridade militar (nacom) era eleita a cada três anos. Outros cargos importantes eram os guardiões (tupiles) e os conselheiros (ah holpopoob).A nobreza maia incluía todos esses dignitários, além dos sacerdotes, guerreiros e comerciantes. A classe sacerdotal era muito poderosa, pois detinha o saber relativo à evolução das estações e ao movimento dos astros, de importância fundamental para a vida econômica maia, baseada na agricultura. O sumo sacerdote (ahau kan) dominava os segredos da astronomia, redigia os códices e organizava os templos. Tanto as artes quanto as ciências eram de domínio da classe sacerdotal. Abaixo do sumo sacerdote havia os ahkim, encarregados dos discursos religiosos, os chilan (adivinhos) e os ahmén (feiticeiros).
Os artesãos e camponeses constituíam a classe inferior (ah chembal uinicoob) e, além de se dedicarem ao trabalho agrícola e à construção de obras públicas, pagavam impostos às autoridades civis e religiosas. Na base da pirâmide social estava a classe escrava (pentacoob), integrada por prisioneiros de guerra ou infratores do direito comum, obrigados ao trabalho forçado até expiarem seus crimes.
A sociedade de castas e linhagem
A sociedade maia era organizada em clãs familiares fechados. Cada clã era integrado por linhagens de hierarquia distinta, de acordo com a distância que os separava de seu antecessor fundador, muitas vezes imposto através da violência de certos grupos sobre outros.
O termo ninja, ou “casa grande”, designava os patrilinajens agrupados em torno de um grande senhor. Ele servia para denominar o edifício principal onde moravam os líderes dos clãs.
Os parentes diretos do primogênito do fundador do clã ocupavam o lugar mais alto na pirâmide social.
Os reis divinos ocupavam a cúspide da sociedade de castas, seguidos pelos sacerdotes parentes, os guerreiros, os artesãos, os comerciantes e os camponeses.
No fim do Período Clássico, a sociedade se tornou ainda mais estratificada. A diferença do norte mexicano e as relações de parentesco se limitaram ao interior de cada casta.
Em 1566, o bispo de Mérida Frei Diego de Landa descreveu a organização social maia em seu livro Relação das Coisas de Yucatán.
Os almehenoobs ficavam na cúspide. Sua casta era integrada pela nobreza hereditária que controlava os principais cargos administrativos e militares. De qualquer forma, para subir de posto, tinham que fazer por merecer, mostrando méritos e aptidões através de um exame consistente que incluía decifrar enigmas e interpretar expressões figurativas denominadas “linguagem de Zuyúa”.
Os candidatos que fracassavam tinham que estar dispostos a morrer. Para aspirar ao poder, o indivíduo tinha que saber interpretar palavras e escrita. Como reza o livro de Chilam Balam, “Os chefes de aldeia são castigados pela noite porque não sabiam compreender… Por isso são enforcados e por isso cortam-lhe as pontas das línguas e por isso arrancam-lhes os olhos”.
Se o aspirante fosse eleito, ele era tatuado com pictogramas na garganta, no pé, e na mão.
No interior dos almehenoobs surgia o Halach uinic, “o verdadeiro homem”, um intermediário entre os parentes superiores, considerados divinos, e os parentes das linhagens inferiores.
O Halach uinic governava com a ajuda de seus parentes diretos, e seu cargo era hereditário para garantir a continuidade e a hegemonia das linhagens principais.
Os membros da nobreza e parentes de segunda linha dos reis cumpriam distintas funções. Os bataboob se dedicavam à percepção de tributos, à administração da justiça, ao ofício da escrita e oficializavam os sacerdotes.
Em degraus mais baixos, sempre no interior das classes superiores, uma diversidade de funcionários cumpria distintas funções. Os ah cuch caboob controlavam o trabalho dos camponeses e as castas inferiores. Os ah holpop eram delegados político-religiosos responsáveis pela organização de cerimônias e a custódia dos instrumentos musicais. Os tupiles eram oficiais reais e chefes administrativos. Eles tinham a responsabilidade de impor a ordem no interior das cidades.
Grinaldas cefálicas compostas de plumagens multicores, jóias e máscaras de jade, tecidos suntuosos, faziam parte dos atributos para reforçar o poder nas cerimônias que saturavam o calendário sagrado.
Os Sacerdotes
As cerimônias religiosas mais relevantes eram conduzidas por nobres de alta posição da família real, encabeçados por Ahau, o monarca cuja função sacerdotal era inerente ao cargo.
A falta de imagens artísticas dos sacerdotes pode ser explicada pela reticência dos maias para representar cenas da vida cotidiana. Certamente, estes homens povoavam a vida das cidades, onde um calendário repleto de celebrações exigia o desdobramento de cerimônias de multidões.
Os ahkin ou sacerdotes eram os responsáveis por controlar, preservar e transmitir os conhecimentos. Eles realizavam cálculos astronômicos, monitoravam o calendário e a passagem das estações. Eles dominavam o sistema da escrita, produção e da interpretação da doutrina e a organização de rituais e sacrifícios.
Sem se propor, o cronista espanhol Diego de Landa traçou semelhanças com o cristianismo, ao relatar que entre os maias “o ofício dos sacerdotes era tratar e ensinar suas ciências, declarar as necessidades e seus remédios, pregar e realizar as festas, fazer sacrifícios e administrar seus sacramentos”. O ofício dos chilanes (profetas) era dar ao povo as respostas dos demônios, sendo tão admirados que eram carregados nos ombros”.
Baixa linhagem
Dentro de cada clã, as linhagens mais distantes do primogênito do ancestral fundador eram formadas por vassalos que deviam tributo e obediência às linhagens superiores.
Os integrantes destas linhagens eram considerados como “gente inferior” pelo rígido sistema de castas. Seus membros deviam residir em territórios fixos associados ao nome da linhagem.
Abaixo dos artesãos, estavam os camponeses, cujas linhagens residiam fora ou na periferia das cidades, pagando tributos, trabalhando nas construções monumentais e participando das atividades cerimoniais do centro.
O último escalão social era ocupado pelos escravos ou ppentac-ob. Em sua maioria se tratava de cativos de guerra provenientes de outras cidades e povos, mas os delinqüentes sem linhagem engrossavam os contingentes junto com indivíduos pertencentes à “gente inferior”, que haviam sido vendidos para realizar tarefas servis.
Com freqüência eles eram oferecidos nos rituais de sangue. A Apologética História de Índias de frei Bartolomé das Casas ratifica as imagens dos murais maias, afirmando que os escravos tinham que usar um colar para serem distinguidos do restante da “gente inferior”.
O papel das mulheres
Assim como era concebido pelos maias, o papel das mulheres se limitava à reprodução. As jovens das linhagens de elite eram trocadas por mulheres de outras cidades, gerando redes de parentesco vinculadas a todas as regiões do mundo maia, sem a obrigação de se casar com mulheres ou homens da mesma linhagem.
Excepcionalmente, cidades como Palenque e Tikal admitiam que as mulheres da nobreza ocupassem papéis governantes, caso a linha de descendência masculina fosse interrompida.
As normas morais eram extremamente rígidas. O adultério era proibido e as mulheres que traíssem o marido eram mortas por apedrejamento. Como exceção, aceitava-se a poligamia. Aceitava-se o divórcio, e em caso de insatisfação era permitido devolver a noiva durante o primeiro ano de casamento.
O consumo de álcool, tabaco e estupefacientes era um privilégio dos homens das castas superiores, que recorriam aos mesmos para facilitar a comunicação com os antepassados e com outras entidades.
A chegada da puberdade era celebrada com um ritual durante o qual eram retirados os acessórios simbólicos da virgindade dos adolescentes: uma conta branca na cabeça dos homens, e uma concha na cintura das mulheres.
Os pais dos homens encarregavam um adivinho para estudos astrais e predições sobre o futuro do casal, rejeitando a menina caso encontrasse incompatibilidades no significado dos nomes. Assim como em outras culturas, eles deviam pagar um dote e assumir uma série de compromissos sobre o sustento que o homem daria aos seus sogros no futuro.
Por Fenrir
A História dos Astecas
Conhecidos também por Tenoch, Tenochca ou Mexica, os Astecas até hoje fascinam a arqueologia. Foram um povo religioso e marcado pelo trabalho. Habitavam a região noroeste do México, região conhecida como Astlán, daí a variação do nome ‘asteca’. Lendas retratam que a origem de parte do povo asteca estaria ligada a sete cavernas existentes a noroeste da Cidade do México, enquanto na maioria dos livros atuais os registros são de que os astecas não se originaram no México, mas sim migraram para aquela região.
Desde os tempos em que os Astecas habitavam Astlán eles haviam estabelecido contato com a civilização Tolteca, que era altamente desenvolvida. Porém o fato dessa civilização ser uma potência para a época não foi o motivo do início do apogeu Asteca, mas sim seu declínio. Conflitos sociais, religiosos e políticos foram alguns motivos para a decadência de Tula, a grande capital dos Toltecas. Povos, como os Astecas, na época pouco desenvolvidos tiraram proveito da situação e adentraram à cidade e se estabeleceram ali, enquanto os Toltecas estavam indo em direção às terras férteis da região central. Esses povos ficaram conhecido como chichimecas, que significa “filhos de cachorro“.
Durante o princípio do século XII até o começo do século XIII, os Astecas vagaram a procura de um novo território pra se estabelecerem. Nesse meio tempo outros chichimecas obtiveram sucesso militar, ganhando força no Vale do México. Juntaram forças com o restante de toltecas que haviam formado uma cidade chamada Culhuacáne e assim o poder dos toltecas foi reestabelecido. Esse foi um período de paz e de grande avanço cultural.
Os Astecas foram atraídos para a nova área de grande desenvolvimento.
Em Tula, o povo Asteca assimilou e aprimorou seu conhecimento tecnológico, com destaque para a agricultura, onde, de acordo com registros históricos, desenvolveu-se os chinampas (conhecidos erroneamente como “jardins flutuantes”). Lá, a religião centrou-se no Deus Huitzilopochtli (“Colibri à Esquerda”), na adoração do Sol e em sacrifícios humanos.
A profecia Asteca: Quando ainda encontravam-se em Tula, os Astecas receberam uma profecia do Deus Huitzilopochtli, que dizia que todos os Astecas deveriam se estabelecerem em outro local, onde eles ficassem permanentemente.
E assim foi. A longa peregrinação durou até 1325 d.C. , o ano “dois casa” (de acordo com o calendário Asteca). A terra falada nas profecias foi encontrada através de um sinal: Em uma ilha pequena, no lago Texcoco, alguns avistaram uma águia (símbolo do Sol e do Deus Huitzilopochtli). Essa ilha mais tarde ficaria conhecida como Tenochtitlán.
A ilha que os Astecas escolheram para ser seu permantente local era tão sem atrativos que nenhum poder da época a havia reivindicado. Tenochtitlán ficava, assim, situada no limite das terras ocupadas pelos três poderes do vale: o chichimecas de Texcoco, os toltecas de Culhuacán, e os tepanecas de Atzcapotzalco. A figura abaixo mostra com clareza a região do Lago Texcoco e toda a expansão do Império Asteca.
Foi uma questão de tempo para os Astecas tirarem proveito de sua localização. Estrategicamente falando os Astecas estavam isolados e isso foi de grande ajuda para o fortalecimento do poder militar. Resolveram fortalecer os tapanecas, que estavam em uma guerra contra os toltecas e os chichimecas. Assim, os Astecas foram incrementando seus conhecimentos sobre militarismo e construção de impérios.
Debaixo de uma sucessão de reis ambiciosos eles estabeleceram um domínio que eventualmente abarcava a maioria do México atual.
Uma gigantesca burocracia política, militar e religiosa foi construída, com governadores, cobradores de impostos, tribunais de justiça, guarnições militares, serviços de correio e mensageiros e outros órgãos burocráticos. Apesar de todos esses esforços febris pela sua organização política, os astecas tiveram ainda força para dominar os seus antigos aliados, Texcoco e Tacuba e empreender novas campanhas militares. É provável que neste período tropas astecas tenham incursionado em terras tão distantes como a América Central não mexicana.
Em princípios do século XVI, a população do Vale do México flutuou em torno de 2.000.000 de pessoas, com algumas cidades se aproximando ou excedendo os 100.000 habitantes.
A história quase incrível de uma pequena tribo nômade, que pôde construir um império em apenas um século (desde o princípio do século XIV para o começo do século XV), pode ser explicada através de três fatores principais: religião asteca, a economia do Vale do México e organização sociopolítica asteca.
Mas os dias da maior glória dos astecas também foram os seus últimos. Desde 1517, expedições espanholas conduzidas por Francisco Hernández de Córdoba, Juan de Grijalva, e Hernán Cortéz tinham estado explorando as costas ao longo do Golfo de México. Rumores de navios tão grandes quanto casas alcançaram a cidade de Tenochtitlán e tais rumores foram somados a profecias sobre o retorno iminente da divindade benigna e herói cultural Quetzalcóatl; elas só poderiam significar desastre para os Astecas e o deus tribal deles, Huitzilopochtli. A marcha audaciosa de Cortés contra Tenochtitlán definiu o palco para a cena final do Império Asteca. O poderio espanhol combinado com uma revolta geral das populações dominadas por Tenochtitlán, as doenças que vieram com os europeus, provaram ser superior à força dos Astecas. Sob os últimos dois reis astecas, Cuitláhuac e Cuauhtémoc, Tenochtitlán foi sitiada e destruída depois de uma heróica defesa.
Por The Earth
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